terça-feira, 29 de novembro de 2011

Ê, Paranjana...



Esta história foi enviada pelo jovem colega Geimison Maia, que como tantos outros nessa Terra do Sol, sofreu e acumulou boas histórias para contar em aventuras no extinto Paranjana (hoje com o nome nada charmoso de Antônio Bezerra/Lagoa/Unifor).

Gritaria, empurra-empurra e gente se estranhando. Os elementos necessários para uma boa história tragicômica estão todos no depoimento detalhado de Geimison:

"A (finada) linha de ônibus Paranjana é uma fonte inesgotável de histórias interessantíssimas. E não poderia ser diferente, devido ao intenso vai-e-vem de pessoas. Os ônibus estão sempre lotados. Era uma linha mágica. Ou melhor, uma sucursal do inferno!

Como de rotina, o ônibus vinha apinhado de pessoas. Como diz um amigo meu, estava tão lotado, que chega vinha preto. Ao passar pelo Castelão, uma multidão saía de um evento evangélico. O ônibus parou e abriu a porta do fundo. Umas dez pessoas, a maioria mulheres, disputaram o passaporte de entrada. Pensei: “Não vão conseguir entrar”. Mas conseguiram. Todas.

Eu experimentava uma mistura de alívio e agonia. Alívio, por estar sentado. Agonia, por ver tanta gente junta, imprensada, colocando em xeque todas as leis da Física. Tenho verdadeiro horror a multidões.

Parada seguinte e as portas abrem novamente. 'Mas não é possível', pensei. O ônibus estava entupido até a porta. Perto daquilo, lata de sardinha é primeira classe. Mas o homem conseguiu entrar. Empurrou de um lado, de outro e soltou o protesto imbecil: 'Mas também, com esse monte de mulher aqui'.

- Olha o respeito, rapaz! - berraram alguns homens próximos.

- Vai, tenta passar por cima de todo mundo – desafiou uma das mulheres.

Eu já me preparava para presenciar o confronto físico, que não ocorreu. Talvez, pela impossibilidade de esticar os braços para dar um murro ou um simples safanão. O homem conseguiu passar pela catraca e o mulherio começou a gritar:

- Sangue de Jesus tem poder – disse uma.

- Aleluia! – gritaram as outras.

- Queima Jesus!

- Seu Zé Pilintra!

- Tá amarrado.

- Aleluia! Aleluia! Aleluia!

E, assim, o Paranjana se transformou numa nova filial de igreja evangélica. O ônibus parou novamente e abriu as portas. As mulheres gritaram:

- Cabe mais nãoooooo motorista.

Mas coube. No Paranjana sempre cabe mais um."

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